Espírito Santo

O Eterno é espírito, e os seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e verdade.[1]

Eu disse: ‘Sois espíritos, sois todos filhos do Altíssimo’.[2]

Replicou-lhes Iaurrushua ben David ben Avraham Vivo: ‘Não está escrito na vossa Lei: Eu disse: Vós sois espíritos (Tehilim/Salmos, 81:6)?[3]

Esse véu só será tirado quando despertarem, vivenciarem o Eterno. Ora, o Eterno é Espírito e onde é o Espírito Eterno, aí há liberdade. Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Eterno, e nós nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Eterno, que é Espírito. [4]

O Eterno é Espírito!

O Eterno não é pessoa!

Quem tem pessoa é Iaurrushua ben David ben Avraham Vivo, o Filho, e o homem.

A palavra pessoa deriva de persona, máscara: designa o que aparenta ser, mas não é!

A persona é o fundamento da personalidade. Cada um tem personalidade própria: as máscaras diferem, uma da outra. É por trás da máscara, porém, que se acha o espírito!

O espírito que cada um é está envolto por uma máscara da qual se deve desvencilhar – e, com ela, de todas as coisas que o afastam do Espírito Criador.

O ser no humano é o espírito, que não se deve deixar iludir pela máscara (persona) que tem, mas não é.

Pai é uma designação: O pai de Francisco, por exemplo, é João. “Eterno” também é uma designação. Ambas são maneiras empregadas para referir-se ao Espírito Criador.

A pessoa é vista, fisicamente definida, materialmente palpável, localizada, no tempo e no espaço.

O Espírito Santo, por sua vez, não é pessoa. Não é visto. É Eterno. Não tem dimensão física ou temporal.

Não cabe afirmar que o Eterno seja uma pessoa, que tenha personalidade!

O Eterno é o Espírito Santo[5]: Espírito de Santidade, Bom, Perfeito!

Como pretender que se possa entristecer o Espírito Santo? O Eterno é inatingível pelo homem! O Eterno é além de tudo e de todos!

Entristecer o Espírito Santo” é uma expressão que se deve compreender pelo ângulo humano: tristeza é o fato de o homem não seguir o Eterno.

O Eterno não se entristece.

As marcas da personalidade não podem ser atribuídas ao Espírito!

No Espírito, a Santidade, o Bem, a Verdade; na personalidade, a máscara, a mentira!

No primeiro, o Equilíbrio; na última, o desequilíbrio.

Não cabe atribuir ao Eterno características humanas – físicas ou emocionais: a “mão do Eterno”, os “pés do Eterno”, a “face do Eterno”, são todas expressões decorrentes do entendimento humano.

O ensinamento de que o Eterno é uma pessoa tem, apenas, um propósito: identificar na criatura o próprio Criador. Esta foi a blasfêmia pretendida pelo anjo mau[6], e reproduzida, insidiosamente, por aqueles que querem fazer de Iaurrushua ben David ben Avraham Vivo o próprio Eterno. O Messias jamais admitiu esta hipótese – o absurdo de ser o próprio Espírito Eterno!



[1] Iochanan (João), 4:24.

[2] Tehilim /Salmos, 81:6 (nas Escrituras protestantes, Tehilim/Salmos, 82:6).

[3] Iochanan (João), 10:34.

[4] II Coríntios, 3:16-18.

[5] II Coríntios, 3:17; Devarim/Deuteronômio, 4:35.39; I Malachim/I Reis, 8:60; Matiáu (Mateus), 27:46; Marcos, 15:34; Iochanan (João), 14:28, 17:8 e 20:17; I Coríntios, 8:4 e 12:11; Revelação (Apocalipse), 3:12.

[6] Ishaiáu (Isaías), 14:12-14.